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Radiologia Intervencionista: O que É e Quais São os Procedimentos

Radiologia Intervencionista: O que É e Quais São os Procedimentos

Conheça a radiologia intervencionista, seus procedimentos minimamente invasivos, indicações e avanços tecnológicos recentes.

Dr. André Takahashi14 de fevereiro de 2026

# Radiologia Intervencionista: O que É e Quais São os Procedimentos

A radiologia intervencionista é a subespecialidade que utiliza métodos de imagem para guiar procedimentos minimamente invasivos — diagnósticos e terapêuticos. Onde antes era necessária uma cirurgia aberta com semanas de recuperação, hoje muitos problemas podem ser resolvidos através de cateteres, agulhas e dispositivos guiados por fluoroscopia, ultrassom ou tomografia.

Breve histórico

A especialidade nasce com Charles Dotter, que em 1964 realizou a primeira angioplastia periférica em uma paciente com isquemia de membro inferior. Desde então, o campo expandiu-se exponencialmente: stents, embolizações, ablações tumorais, drenagens percutâneas — tudo guiado por imagem em tempo real.

Na prática: Procedimentos intervencionistas guiados por imagem oferecem alternativas minimamente invasivas que reduzem tempo de internação e morbidade comparados a abordagens cirúrgicas tradicionais.

No Brasil, a radiologia intervencionista é reconhecida como área de atuação pelo CFM e pela Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE).

Métodos de guia por imagem

Fluoroscopia

Raios X em tempo real. Principal método para procedimentos vasculares (angiografias, embolizações, angioplastias). Permite visualizar cateteres, guias e contraste em tempo real.

Ultrassonografia

Excelente para punções percutâneas (biópsias, drenagens) em estruturas visíveis ao US. Vantagem: sem radiação, portátil, tempo real.

Tomografia computadorizada

Usada para punções profundas onde o alvo não é visível ao US (lesões pulmonares, retroperitoneais). TC com fluoroscopia reduz o tempo do procedimento.

Cone-beam CT

Disponível em salas de angiografia modernas. Combina a capacidade volumétrica da TC com a flexibilidade da sala de hemodinâmica.

Procedimentos vasculares

Embolização

Oclusão intencional de vasos sanguíneos através de materiais injetados via cateter:

  • Miomas uterinos — Embolização das artérias uterinas como alternativa à histerectomia.
  • Hemorragias — Trauma, pós-parto, sangramento gastrointestinal.
  • Tumores hepáticos — Quimioembolização transarterial (TACE) para hepatocarcinoma.
  • Varicocele — Embolização da veia gonadal como alternativa à cirurgia.
  • Malformações vasculares — Embolia com agentes líquidos, coils ou partículas.

Angioplastia e stents

Dilatação de vasos estreitados (estenoses) com balão, frequentemente associada à colocação de stent metálico:

  • Artérias de membros inferiores (doença arterial periférica).
  • Artérias renais (hipertensão renovascular).
  • Veias (síndrome de May-Thurner, estenoses de fístula de diálise).

TIPS (Transjugular Intrahepatic Portosystemic Shunt)

Criação de comunicação entre a veia hepática e o sistema porta para descompressão em hipertensão portal refratária (ascite, varizes de esôfago com sangramento recorrente).

Trombólise e trombectomia mecânica

Remoção de trombos em trombose venosa profunda extensa ou embolia pulmonar maciça, quando indicado.

Procedimentos não vasculares

Biópsias percutâneas

Obtenção de fragmentos de tecido para diagnóstico histológico:

  • Nódulos pulmonares (guia por TC).
  • Lesões hepáticas, renais, ósseas.
  • Linfonodos profundos.
  • Massas retroperitoneais.

Complicações variam por localização. Biópsia pulmonar tem risco de pneumotórax (15-25%, mas apenas 2-5% necessitam drenagem).

Drenagens percutâneas

Inserção de cateteres para drenar coleções:

  • Abscessos abdominais e pélvicos.
  • Empiemas pleurais.
  • Nefrostomias (obstrução urinária).
  • Drenagem biliar (obstrução biliar maligna).

Ablação tumoral

Destruição de tumores por energia térmica ou química:

  • Radiofrequência (RFA) — Aquecimento por corrente alternada.
  • Micro-ondas (MWA) — Aquecimento por ondas eletromagnéticas. Mais rápido que RFA.
  • Crioablação — Congelamento com gás argônio.
  • Indicações principais — Tumores hepáticos pequenos, carcinoma renal, metástases pulmonares, osteoma osteoide.

Vertebroplastia e cifoplastia

Injeção de cimento ósseo (polimetilmetacrilato) em vértebras fraturadas por osteoporose ou metástases. Alívio imediato da dor em casos selecionados.

Vantagens sobre a cirurgia aberta

  • Anestesia local ou sedação (na maioria dos casos).
  • Incisões mínimas (2-5 mm).
  • Recuperação mais rápida.
  • Menor taxa de infecção.
  • Possibilidade de repetição.
  • Menor custo hospitalar (internação mais curta).

Limitações e riscos

Como todo procedimento médico, a radiologia intervencionista tem limitações:

  • Nem toda lesão é acessível por via percutânea ou endovascular.
  • Complicações existem: sangramento, infecção, lesão de estruturas adjacentes.
  • Alguns procedimentos têm resultados inferiores à cirurgia em longo prazo (avaliação caso a caso).
  • Exposição à radiação (para o paciente e a equipe) em procedimentos fluoroscópicos.
  • Curva de aprendizado significativa.

Evolução tecnológica recente

  • Microesferas drug-eluting — Liberação local de quimioterapia com embolização simultânea.
  • Radioembolização (Y-90) — Microesferas radioativas para tumores hepáticos irressecáveis.
  • Navegação eletromagnética — Guia de agulhas sem radiação.
  • Robótica — Sistemas robóticos para posicionamento preciso de agulhas.
  • Inteligência artificial — Planejamento de trajetória, segmentação automática de vasos.

Perguntas Frequentes

O que é radiologia intervencionista?

É a subespecialidade que realiza procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem (fluoroscopia, US, TC, RM). Inclui biópsias, drenagens, embolizações, angioplastias e ablações tumorais. Oferece alternativas menos invasivas à cirurgia convencional, com menor morbidade e tempo de recuperação.

Quais procedimentos podem ser feitos por radiologia intervencionista?

A gama é ampla: biópsias percutâneas, drenagem de coleções, embolização de miomas e tumores, angioplastia e stent vascular, ablação térmica de tumores, vertebroplastia, acesso venoso central e filtro de veia cava. O radiologista intervencionista avalia a viabilidade caso a caso.

A biópsia guiada por imagem é mais segura que a cirúrgica?

Em geral, biópsias percutâneas guiadas por imagem apresentam menor taxa de complicações, não requerem anestesia geral e permitem recuperação mais rápida que a biópsia cirúrgica. Porém, há situações em que a abordagem cirúrgica é mais adequada. O médico define a melhor estratégia conforme o caso.

Conclusão

A radiologia intervencionista oferece soluções terapêuticas que combinam eficácia com mínima invasividade. O conhecimento dessas opções é fundamental para o médico clínico e cirurgião, pois permite oferecer ao paciente alternativas que muitas vezes significam menos dor, menos tempo de internação e recuperação mais rápida.

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